A ejaculação precoce (EP) é uma das condições sexuais masculinas mais comuns, afetando cerca de 25% dos homens. Apesar disso, muitos ainda acreditam que a ep é algo sem solução, o que não é verdade.
O que é ejaculação precoce?
A ejaculação precoce ocorre quando o reflexo ejaculatório é ativado antes ou logo após o início da atividade sexual, gerando insatisfação para o indivíduo e, muitas vezes, para sua parceira ou parceiro. Ela pode ser classificada como:
- Primária: presente desde as primeiras experiências sexuais, geralmente relacionada a fatores genéticos ou neuroquímicos.
- Secundária: desenvolve-se ao longo da vida após um período de controle ejaculatório normal, frequentemente associada a fatores psicológicos, hormonais ou fisiológicos, como disfunção erétil ou estresse.
Impacto da ejaculação precoce
As consequências podem ser amplas, incluindo:
- Emocionais: baixa autoestima, frustração e insegurança.
- Relacionais: ansiedade durante o ato sexual, levando à evitação de intimidade.
- Psicológicas: o “temor de desempenho” pode criar um ciclo negativo de ansiedade e piorar o controle ejaculatório.
Como funciona o controle da ejaculação?
A ejaculação é controlada pelo sistema nervoso, dividido em duas fases principais:
- Fase da emissão: sob controle do sistema nervoso simpático, os estímulos contraem as glândulas reprodutivas e enviam o sêmen para a uretra.
- Fase da expulsão: o sistema nervoso somático provoca contrações rítmicas dos músculos do assoalho pélvico, liberando o sêmen.
Os neurotransmissores também desempenham papéis-chave:
- Serotonina: prolonga o tempo de ejaculação.
- Dopamina e oxitocina: estimulam o reflexo ejaculatório.
- Gaba: atua inibindo a resposta ejaculadora.
Fatores que influenciam o tempo ejaculatório
O tempo de latência ejaculatória intravaginal (ielt) é uma métrica utilizada em estudos clínicos para avaliar a ep. Valores típicos incluem:
- Normal: 5 a 7 minutos.
- Grave: menos de 1 minuto.
- Leve a moderada: 1 a 3 minutos.
Entretanto, fatores como ansiedade, tempo de abstinência e vínculo com a parceira(o) podem influenciar esses números.
Tratamentos disponíveis
A ejaculação precoce é tratável, com opções que variam de mudanças comportamentais a intervenções médicas.
- Psicoterapia: terapia cognitivo-comportamental e técnicas como “start-stop” ajudam a melhorar o controle ejaculatório.
- Tratamentos tópicos: anestésicos aplicados localmente diminuem a sensibilidade peniana, prolongando o tempo até a ejaculação.
- Intervenções farmacológicas: medicamentos como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (isrs) aumentam os níveis de serotonina, retardando a ejaculação.
- Ajustes hormonais: corrigir desequilíbrios hormonais, como níveis reduzidos de testosterona, níveis elevados de prolactina ou alterações nos hormônios tireoidianos, podem ser necessários em alguns casos.
Dicas para prevenção
- Controle do estresse: altos níveis de ansiedade ou cortisol podem agravar a ep. Pratique atividades relaxantes e busque apoio psicológico, se necessário.
- Comunicação: conversar com a parceira(o) sobre as dificuldades é essencial para reduzir a pressão e buscar soluções conjuntas.
- Evite álcool em excesso: bebidas alcoólicas podem interferir negativamente nos tratamentos e agravar os sintomas.
Conclusão
A ejaculação precoce é uma condição tratável, e avanços na medicina oferecem alternativas eficazes para homens que sofrem com esse problema. Buscar auxílio profissional e adotar uma abordagem multidisciplinar pode transformar a experiência sexual e emocional de quem enfrenta esse desafio.
Se você ou alguém próximo enfrenta dificuldades semelhantes, lembre-se: a solução está ao alcance. Fale com um especialista e tome o primeiro passo rumo à mudança.
Para quem quer saber mais:
Aqui deixo algumas referências bibliográficas que utilizei para escrever esse texto e pode ajudá-lo(a) a aprofundar mais no assunto se tiver o interesse:
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