Em princípio, aplicável a pacientes sem contraindicações formais ao seu uso.
Pacientes portadores de câncer de próstata, câncer de mama em homens, melanomas, poliglobulia (hematócrito acima de 54%) ou em insuficiências cardíaca, hepática ou renal graves não devem se submeter à TRT.
O uso da testosterona deve ainda ser evitado em pacientes com Apneia Obstrutiva Grave durante o sono, não tratada.
Acima de tudo, só deve ser administrada a pacientes com queixas clínicas compatíveis com a deficiência da testosterona, comprovada com suas dosagens laboratoriais:
* Valores normais da Testosterona Total em homens: 300 a 1.000ng/dL, consensualizados pela Sociedade Americana de Urologia.
* Valores normais (ainda não consensualizados) da Testosterona Total em mulheres: 15 a 50ng/d*L.
Não é incomum que Laboratórios utilizem, equivocadamente, faixas de normalidade para homens entre 240 e 860ng/dL. Isso pode induzir a subdiagnósticos (em pacientes com valores entre 240 e 300ng/dL).
E que pacientes com dosagens “normais baixas” (entre 300 e 350ng/dL) podem, ao longo dos dias, “flutuar” em torno de 300, com média, por exemplo, de 270ng/dL. Portanto, se tiverem queixas de baixa da libido, com dosagens entre 300 e 350ng/dL, devem ser tratados.
APRESENTAÇÕES FARMACÊUTICAS DA TESTOSTERONA
– Gel
– Adesivo transdérmico de testosterona.
– Spray nasal
– Implantes subcutâneos de tubos (pellets) de silicone.
– Creme transdérmico.
– Testosteronas injetáveis (Intramusculares): vários compostos: propionato, cipionato, enantato, buciclato, mix destes ésteres etc.
– Filmes Orodispersíveis (F.OD) com testosterona (bucais/supralinguais).
Antes de qualquer comentário sobre as diferentes formas de apresentação farmacêutica do hormônio, é importante ressaltar que seus níveis no sangue devem se manter rigorosamente dentro da faixa de normalidade. Valores elevados (> 1.000ng/dL) podem ser extremamente danosos.
Lembrete importante: “Quanto mais tempo em deficiência, mais tempo para responder ao tratamento administrado (por vezes, até 30 dias)”.
Em nosso país, as três formas mais utilizadas são: as testosteronas injetáveis (ésteres), ou sob a forma de gel ou de creme transdérmicos.
Nenhuma dessas apresentações resulta em níveis adequados – os mais próximos possíveis dos níveis sanguíneos fisiológicos.
Injetáveis, por exemplo, podem apresentar níveis plasmáticos acima de 1.000ng/dL na primeira semana, níveis ótimos na segunda, e níveis subnormais (abaixo de 300ng/dL) ao longo da terceira semana.
O gel, como veículo, pode não proporcionar a devida absorção da testosterona em cerca de 25 a 30% dos pacientes. As preparações com o creme Pentravan reduzem significativamente estas taxas, mas não completamente.
Sejam quais forem as apresentações farmacêuticas mencionadas, nenhuma delas proporciona níveis sanguíneos fisiológicos (hormônio dentro da faixa de normalidade, respeitando seus níveis circadianos: mais elevados pela manhã – 8h, mais baixos à noite- 20h).
Nesse sentido, uma boa opção parece ser a do uso de Filmes Orodispersíveis Supralinguais (F.OD), com maior dosagem da testosterona no filme da manhã e menor no da noite (usados duas vezes ao dia; flavorizados), desenvolvidos há cerca de uma década de forma inédita pelo Dr. Nahoum, e em parceria com a Essentia (SC), sem dúvida uma das três mais sérias e profissionais Farmácias de Manipulação do país.
O uso da Terapia da Reposição da Testosterona nas mulheres, embora cada vez mais frequente, ainda é bastante polêmico.
Não há consenso sobre seus principais fundamentos: entre os quais as doses terapêuticas para “reposição” e os níveis sanguíneos normais.
A título de contribuição, e reflexão: foi constatado recentemente que os níveis de testosterona nas mulheres não são “contínuos, estáveis”: eles sofrem alterações em função da fase do ciclo menstrual: têm uma queda abrupta com a ovulação e se mantêm em níveis baixos durante a segunda fase do ciclo. Voltam a subir, progressivamente, ainda durante a menstruação, e atingem o auge no 13º dia do ciclo, coerentemente, a fase de mais alta libido e aceitação sexual entre as mulheres. E é nesse período, entre o dia 0 e o 13º dia que a testosterona deve ser dosada nas mulheres.
Esses achados podem contribuir significativamente para a TRT no sexo feminino
É necessário ressaltar aqui que os comentários a seguir tratam da questão como fato isolado. Como queixa única, o que já foi assinalado como de ocorrência incomum.
De qualquer forma, é da mais alta relevância que a causa da deficiência seja determinada.
Com alguma frequência, ainda que resultados laboratoriais confirmem a baixa dos níveis da testosterona, o tratamento não consiste em administrar testosterona aos pacientes. Ela voltará a ser produzida em níveis adequados com a simples troca/suspensão de um ou mais medicamentos com efeito adverso sobre a libido.
Ou ainda, com o tratamento de doenças (hipotireoidismo, por exemplo), “indiretamente” causadoras da baixa da libido.
Outro possível cenário é o do aumento dos níveis de outro hormônio: a prolactina, que, quando elevada, “bloqueia” ou reduz os efeitos da testosterona. Aqui, o tratamento consiste em considerar um procedimento ou um medicamento específico que reduza a prolactina a seus níveis normais. Ou a troca/suspensão de medicamentos que, indesejavelmente, aumentem esse hormônio (efeito iatrogênico).
O aumento da prolactina é mais comum nas mulheres do que nos homens. E nelas, também, pode reduzir a libido.
Analogamente à testosterona para os homens, o estrogênio (hormônio sexual feminino) é relevante para a libido nas mulheres. No entanto, embora produzida em níveis cerca de vinte vezes (20) menores do que nos dos homens, a testosterona tem sido consistente e crescentemente valorizada como importante hormônio regulador da libido no sexo feminino.